Voto não define caráter, mas define destinos

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O voto não define caráter, mas define destinos

Durante os últimos meses, é raro que me manifeste sobre qualquer assunto relacionado a luta-livre. Para ser bem sincero, não tenho mais o mesmo vigor e vontade para acompanhar, tampouco para debater os futuros da arte na internet.

Mas ainda existem pautas que me chamam a atenção e me fazem querer deixar minha contribuição no debate. Por isso, agradeço sempre ter o espaço que o WrestleBR me concede para que possa opinar.

Desta vez, meus dois centavos entrarão na oferta iniciada ontem por João Aranha, na sua coluna quinzenal no WrestleManíacos. Este é apenas um encore da sua publicação. Se você ainda não conferiu, vá e veja.

Na última semana, o mundo parou para acompanhar um país dividido, que com seu modelo arcaico de votação com papel, demorou mais de três dias para confirmar a vitória do seu novo presidente. Além disso, o antigo, derrotado, como um bom líder de uma republiqueta, não aceitou a derrota.

A história poderia ser comum, se não estivéssemos falando dos Estados Unidos da América, o país mais influente do mundo em diversas áreas, entre elas as mais importantes do capitalismo, como economia, tecnologia, cultura e poder militar.

Como havia dito acima, tivemos um país dividido entre Democratas, partido do candidato Joe Biden, e Republicanos, do atual Presidente, Donald Trump. Cada eleitor com sua pauta embaixo do braço, além das que estão fervendo por lá, como a Covid-19 e os movimentos contra a violência policial.

Os lutadores, como estadunidenses, também fizeram suas escolhas. E como todos os outros cidadãos, seres humanos e imperfeitos, alguns não tiveram o mesmo lado que o meu, o seu, ou de outras pessoas. O que é normal, haja visto que esse é um dos motivos da existência da democracia.

Não há problemas no voto ser em Chico ou Francisco, em um primeiro momento. Até porque, como bem dito por Cezar Bononi, o voto não define caráter. Tampouco define a grandeza que o lutador teve dentro dos ringues, como é o caso de muitos que estão ali.

No entanto, como perfeitamente colocado por Aranha, e citando-o, o voto “nos da alguns alertas sobre o caminho que aquela pessoa deseja trilhar na vida”. E não apenas nos dá esses indícios, como também pode mostrar uma visão sobre o mundo e seus pares.

A votação em Joe Biden, por exemplo, mostrou mais sobre uma grande rejeição a Trump, mesmo ele também conseguindo um recorde de votação, do que um apoio orgânico ao vencedor das eleições. Os Estados Unidos disse não, em sua maioria, a políticas de extrema-direita.

Que, permitindo-me a discordar de um trecho do texto de Aranha, influenciam diretamente no Brasil, que além de ter os estadunidenses como um dos principais parceiros, também foi influenciado pela onda de extrema-direita no ocidente, elegendo um político com o mesmo viés ideológico. Fora outros tipos de influência que, se ficarmos debatendo, não chegaremos no principal tópico deste texto.

Dessa forma, se o voto não define caráter, ele define destinos. E define, porque legitima determinadas opiniões de determinados grupos, que vão acabar influenciando positivamente ou negativamente em todos os âmbitos daquele país.

Eleger candidatos em 2020 que não trabalhem pelo fim da violência de classe, gênero, raça, e contra todos os povos oprimidos, e que legitima a repressão contra os mesmos, define o destino dessas pessoas. Como homem negro que viveu, vive e possivelmente viverá a violência da polícia que mais mata no País, eu posso te garantir que o voto definiu muitos destinos, principalmente de corpos pretos e jovens.

A pandemia também nos mostrou como é importante a posição do chefe do poder executivo, seja para tomar medidas de prevenção, ou permitir que empresas de luta-livre fizessem shows durante o pico de contaminação. Nos Estados Unidos, mais de 200 mil pessoas morreram e o wrestling foi o único esporte que não parou durante um segundo. Esses shows, provavelmente, não foram exibidos nos velórios das vítimas para alegrar o ambiente.

Por isso, o seu voto ou o do seu ídolo da lutinha importam. Não para definir o caráter, como foi perfeitamente colocado por Bononi, mas para definir o seu destino e de toda uma população. Por isso, não importando a sua opção nas eleições municipais que acontecem no dia 15, pense bem se a sua escolha será boa não apenas para você, como também para os seus pares.

E não deixe de votar. O seu voto também conta. É assim que a democracia funciona. Sua escolha ajuda a decidir o futuro de milhares outras pessoas. Por isso, pense bem e pense em todos.

Nos vemos num outro momento.

Lucas Gomes

Não sou um profissional.

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