Dia do Rock: 13 Bandas com Lutadores!

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13 de julho comemora-se o Dia Mundial do Rock. Para prestigiar a data, trago para vocês 13 bandas com lutadores, uma mescla entre música e wrestling, entre palcos e ringues. Não se trata de uma lista do pior ao melhor colocado, são apenas 13 nomes que seguem os seguintes requisitos: originalidade, consistência e vida paralela ao esporte. Por isso, bandas cover como a de Chuck Palumbo (3 Spoke Wheel), bandas que fizeram alguns poucos shows e logo acabaram como a da Chyna (The Chynna Dolls) ou que existiam apenas antes do estrelato dos lutadores como a de Grado (Prezident Prime) não entrarão. Não importa qual estilo você goste, tem banda para todos os gostos. Quer uma dica? Escute o som das bandas enquanto lê os textos. Feliz Dia do Rock!


PeroxWhy?Gen

Com um nome tão enigmático quanto esse, a banda só poderia ser do Jeff Hardy. Impronunciável a um primeiro olhar, o nome foi escolhido após o lutador ir ao banheiro e dar de cara com uma lata de aerossol de peróxido, que dentre outras utilidades, serve para limpar ferimentos. Com esse sentido de cura ele combina com a palavra oxigênio, algo de suma importância para todos nós, e coloca um “why?” (“por quê?”) entre elas. Sendo assim, o jeito de se falar pode ser o mesmo que “peroxygen”, mas também da forma que você achar correta, Hardy deixa em aberto para termos essa liberdade de escolha. Parece complexo, mas se você conhece o som da banda e também a carreira artística de Jeff Hardy, que não se restringe apenas ao pro wrestling, você sabe que se encaixa muito bem.

A PeroxWhy?Gen teve inicio em 2003 na Carolina do Norte, com seu espírito alternativo desde o principio. Além de Hardy, o lutador Shannon Moore, companheiro dos OMEGA Boyz, também fez parte da fundação da banda na parte de produção sonora e nos vocais. Um rock instável, misterioso e exótico, sem uma rotulação precisa de gênero, tão inconstante quanto Jeff Hardy em si. A PeroxWhy?Gen acompanhou os altos e baixos da carreira do lutador, detalhando subliminar e explicitamente a batalha que teve contra as drogas e a sua retomada ao topo. De certa forma, a banda o ajudou a se salvar, dando espaço para ele declamar seus poemas e livrar-se de suas angústias ao depositar sua alma nos vocais. Com três discos lançados, alguns EPs e inúmeras músicas temas utilizadas por Jeff enquanto wrestler, a PeroxWhy?Gen continua ativa até hoje.


Hulk Hogan and the Wrestling Boot Band

Muitos dos lutadores da antiga WWF já tentaram uma chance na música. Terry Funk, Jerry Lawler, “Classy” Freddie Blassie, Jesse Ventura, Roddy Piper, Randy Savage, Captain Lou Albano, entre outros, já gravaram álbuns com seus nomes. Com a popularização da empresa após o boom dos anos 80, a ideia de interação entre lutadores e outros meios do entretenimento se tornou constante. Hulk Hogan, o principal rosto e músculos da era dourada do wrestling, alavancou sua fama ao explorar suas (contestáveis) veias artísticas protagonizando filmes, desenhos animados e mais tarde, formando a banda Hulk Hogan and the Wrestling Boot Band. O lutador já fez parte do rock’n’roll sendo o baixista da banda Ruckus, que teve fim quando sua carreira na luta livre deslanchou. Com o álbum “Hulk Rules“, ele retorna para a música em 1995, assumindo os vocais e o seu bom e velho amigo contrabaixo.

Na Wrestling Boot Band, temos também a presença do manager da WWF Jimmy Hart e do músico J. J. Maguire, que dentre outros fatos foram os criadores da música tema de Shawn Michaels, além da então esposa de Hogan, Linda Bollea. As letras refletem a persona que víamos nos ringues, descrevendo de forma narcisista sua força e todo seu patriotismo. No meio de tudo isso, há espaço até para uma homenagem na faixa “Hulkster in Heaven” para uma criança fã do lutador, ao qual ele teria conhecido no SummerSlam que ocorreu em Londres e que teria morrido antes de sua luta começar, deixando apenas um lugar vazio. Música bonita e tocante (brega é a palavra certa), tirando o fato que Hogan nunca participou dessa edição do SummerSlam por nem fazer parte mais da empresa na época, aliás, nem de fato lutando na cidade naquele ano… Mais uma das histórias famosas de Hogan, como a que ele afirmava que fez testes para o Metallica depois da morte de Cliff Burton. É um álbum bem mal visto por muitos fãs, mas ele consegue capturar muito da atmosfera cartunesca do que foi o wrestling um dia. A música “American Made“, grudenta até o último nível, se tornou o tema de entrada do Hulkster na WCW.


Droch Fhoula

A carreira de Vampiro beira os 30 anos, sendo mais famoso por sua passagem pela WCW. Foi batizado como “Vampiro Canadiense” em seu começo de carreira na CMLL pelo então presidente da federação Paco Alonso (falecido na semana passada), que o acolheu mesmo ainda sendo um estrangeiro bem limitado nos ringues. Depois disso, levou consigo sua alcunha em espanhol pelas empresas que teve passagem no Japão e EUA. O lutador carregava em si a personificação de uma subcultura alternativa, com um estilo amedrontador que transponha suas próprias crenças no ocultismo. Sobre o envolvimento de Vampiro com a música, antes de ser wrestler ele já foi guarda-costas da dupla pop Milli Vanilli, que tem grandes similaridades com o kayfabe e as tragédias da luta livre. Como cantor, ele teve suas primeiras experiências no mundo do rap, até formar sua banda de industrial metal, a Droch Fhoula.

A banda é basicamente a extensão espiritual de Vampiro. Ao lado de dois guitarristas, Grave Digger e Vlad Blake, o lutador assume os vocais desde a sua formação no ano de 2006, na Cidade do México. O nome Droch Fhoula tem relação com a origem irlandesa do Conde Drácula, o que complementa e encaixa perfeitamente com a atmosfera gótica ao qual eles querem criar. A música, por sua vez, é intensa, pulsante e mesmo assim, sombria. Há um pouco daquela sedução vampiresca clássica, ao mesmo tempo em que temos uma batida contemporânea com o peso do metal. Em 2007, o álbum “Alter Deus” é lançado, e desde então a banda vive na penumbra, à espera de ser acordada novamente de seu sono profundo.


Black Kites / Altered Boys

Jeff Cannonball é um dos espíritos das florestas da CZW, o antro das inconsequências contra o corpo humano, o que o torna totalmente desconhecido para a grande maioria de fãs casuais do Raw e Smackdown. Fincar agulhas na testa, ser jogado em um bloco de cimento e outras atrocidades que as deathmatches podem nos proporcionar, não é algo que a família conservadora acata muito bem. Assim como no wrestling, seu som também é ultraviolento, os berros de Cannonball ecoavam nos microfones da banda Black Kites, como uma bordoada consentida em nossos ouvidos.

A banda de Jeff, assim como ele próprio, levantava a bandeira do straight edge e do veganismo. A Black Kites teve seu fim em meados de 2012, mas em pouco tempo Cannonball entra para a Altered Boys, dessa vez como baixista. A meu ver, o som de sua nova banda é um pouco menos agressivo quanto à antiga, talvez até por ele não ser o vocalista, mas de forma alguma há falta da essência punk, não necessitando de muito mais que dois minutos para passar seu recado. Hardcore no wrestling, hardcore na música, o submundo vive em Jeff Cannoball.


God’s Hate

Fazendo sua estreia em 2015, Brody King tem uma curta carreira na luta livre, porém já deixou seu rastro por diversos locais, com uma boa e rara mistura entre força física e agilidade. Já passou pelos ringues da NWA, MLW e PWG, estando atualmente contratado pela ROH, ao qual integra a Villain Enterprises ao lado de Marty Scurll e PCO, o que o levou também a participar de lutas da NPJW em solo americano e no Best of the Super Juniors ’19 no Japão. Intimidador, o corpo repleto de tatuagens e a personalidade obscura já demonstram muito do que Brody faz paralelo ao wrestling. Ele é vocalista de uma banda de hardcore com a alcunha amigável de God’s Hate.

Por conta do wrestling, o lutador teve que deixar de lado um pouco seu lado musical que sempre cultivou, mas nunca esqueceu por completo. Seus quase dois metros de altura refletem uma voz brutal e feroz, assim como o som de sua banda. Criticando a religião e declamando ideais do straight edge, ao qual o próprio lutador é “devoto”, a God’s Hate está na ativa desde 2013. O álbum de estreia da banda, intitulado “Mass Murder”, saiu em 2016, arrancando ótimas criticas dos fãs do gênero, assim como os EPS que o antecederam. No circuito independente, Brody usava a música “Divine Injustice” da banda em suas entradas até o ringue, o que ajudava a criar mais densidade ao seu personagem.


Deadlift Lolita

Deixando um pouco de lado essa atmosfera pesadamente metalizada, vamos trazer um pouco de kawaii metal, estilo que pode ser amado, incompreendido ou odiado pela estranheza que nos traz a mistura do heavy metal com a pureza do j-pop. A meu ver chega a ser algo bem capitalista e até manipulador, uma fábrica de criação de ídolos, mas a música é tratada dessa mesma forma em inúmeros gêneros. A banda de kawaii metal mais famosa é a Babymetal, mas não muito atrás conseguimos ver também o sucesso causado pela dupla formada por Ladybeard e Reika Saiki, a Deadlift Lolita.

A vida de Richard Magarey, mais conhecido como Ladybeard, é tão singular como a forma que ele se apresenta. Ele nasceu na Austrália, mas acabou indo pra Hong Kong para começar uma carreira como dublê em filmes de arte marciais, ao qual não obteve muito sucesso. Em um show de metal, ele se depara com um sujeito vestido com uma camiseta de uma empresa chamada Hong Kong Wrestling Federation. Ele já tinha interesse pela luta livre, pois era um espaço onde se misturava artes marciais, atuação e caracterização de personagens, mas não havia tido oportunidade de ser um lutador antes daquele momento. Magarey já tinha uma predisposição ao crossdressing, costumava se vestir com roupas femininas em festas e shows de rock ainda em seu país natal, por simples diversão. Batizado como Ladybeard, uma garota de cinco anos dentro de um corpo de um homem de 30, ele obtém fama nos ringues honcongueses quase que automaticamente ao se vestir como uma lolita. Aproveitando sua fama como lutador, ele também chama atenção do público se apresentando com uma banda de metal fazendo covers de músicas pop chinesas, vestido também como Ladybeard. Em uma turnê pelo Japão, ele resolve se mudar para lá e continua sua carreira como wrestler e músico, onde encontra enorme sucesso no país ao fazer parte da sua primeira banda de kawaii metal Ladybaby.

Vamos focar agora um pouco na outra metade da dupla, a adorável Reika Saiki. Ela é uma fisiculturista que ficou famosa ao fazer cosplay da Chun-Li do Street Fighter, além de lutar em algumas federações de wrestling no Japão. O caminho dela cruza com Ladybeard quando lutavam na mesma empresa. O grupo Ladybaby acaba e os dois decidem juntar a força de suas famas, criando assim em 2017 a Deadlift Lolita, sem abandonar suas carreiras como lutadores. São tantas combinações em uma só banda que acabamos perdidos, é muita informação para minha cabeça ocidental. Enquanto Reika traz uma doçura asiática em sua voz envolta em músculos bem definidos, temos Ladybeard de vestido com seus vocais guturais, sem contar a banda de apoio que produz um som rápido, animado e pesado. Nesse exato fim de semana (13 e 14 de julho/19) fazendo algumas apresentações em São Paulo.

mr. Peter

Formado em RTV, fanático pela arte não reconhecida do wrestling profissional (Instagram: @themrPeter)

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