O tempo passa, as gerações mudam

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Há muito que eu queria escrever um texto sobre isso e, quando finalmente decidi, a notícia que Bobby Roode e Eric Young deixavam a TNA apenas reforçou isso. Reforça a percepção que o tempo passa, independente de quem seja.

No pro wrestling, poucas coisas são mais tristes que uma partida e não faltam exemplos de emocionantes despedidas que trouxeram muitos às lágrimas, o mundo do pro wrestling infelizmente impede, diferente da ficção que o protagonista tenha dez anos por vinte anos como os fãs de Pokémon muito bem devem saber, mas faz parte da mágica da arte do pro wrestling a passagem da tocha, o poente das lendas e o nascer dos novos astros.

Para os fãs da velha guarda sempre há a sensação que os novatos hoje não são nada perto dos wrestlers que foram parte do show durante anos, os famosos saudosistas, mas ao mesmo tempo, o nascimento de uma nova geração não é só necessário pela idade que sempre chega, mas pelas possibilidades que se abrem, pela dinâmica que só o pro wrestling pode proporcionar de atores, vide a eficiência impressionante que a Lucha Underground introduz seus novos personagens e a naturalidade que eles se integram ao roster.

Na TNA, após uma das mais brilhantes gerações de wrestlers na história com AJ Styles, Samoa Joe, Bobby Roode, James Storm e muitos outros wrestlers que se concentraram todos em volta da TNA, a tornando uma das maiores promessas na história do PW, o tempo passou e hoje muitos daqueles que antes brilhavam no ringue hoje deixam o holofote para os mais novos.

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Não havia mais muito a ser feito, depois de mais de uma década na empresa nada mais poderia ser conquistado. Em menos tempo que isso, The Rock e Steve Austin sagraram seu legado para a eternidade.

O foco, voltando dez anos de idade, agora é em EC3, Drew Galloway, Mike Bennett, Bram, Eli Drake e tantos outros no ápice dos seus vinte e poucos, trinta anos de idade.  Uma geração que vem para superar outra, refletir sobre o legado deles e trazer ar fresco na empresa.

Justamente por esse choque de gerações que há hoje uma discussão, a sensação da TNA estar perdendo astros, mas há muito que os wrestlers veteranos estavam preparando o terreno para esses que hoje dominam a TNA, mesmo com alguns veteranos na empresa como os irmãos Hardy e o monstro Abyss, o show transpira juventude como a empresa não fazia há anos.

É justamente nesse ponto que a empresa dos McMahons vacila, na busca pelo maior lucro possível e pelo expansionismo indefinido eles buscaram o máximo de wrestlers que não mais podiam dar alguma coisa, erraram as apostas de novos talentos e na pressa de uma nova geração que suprisse a última criaram uma abominação como Roman Reigns.

O tempo inevitavelmente passa e a TNA tomou conhecimento disso, mais vale ao longo prazo um wrestler sem nome, mas que esteja aberto para uma construção de toda uma trajetória que um nome que traga espectadores a curto ou no máximo médio prazo.

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A TNA aprendeu com esse erro e pela necessidade criou um roster de jovens wrestlers melhor que na época das vacas gordas, reconstruindo aos poucos os custos que o caminho por audiência fácil lhe custou, porém na mão inversa vemos o resultado para que se encaminha o card dessa Wrestlemania de domingo com uma mistura de velhos talentos que não mais podem nos dar regularidade como atrações e jovens wrestlers que não queremos ver sendo empurrados de modo superficial.

O wrestling é uma arte que demanda ritmo.

1 comentário em “O tempo passa, as gerações mudam”

  1. O talento está na TNA, é fato. Entretanto, eles não tem “booking”, não há uma história para contar luta após luta. Isso, a WWE tem.

    Pode-se dizer que todos os outros – TNA, ROH, NJPW, LU – fazem luta livre. Já na WWE, se faz entretenimento, o que não é bonito, mas dá dinheiro.

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