WSW World Tour Brasil: Uma realidade promissora.

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Pra falar sobre o WSW World Tour Brasil, convidei meu amigo de longa data Lequinho Maniezo, do Pipebomb Cast, para contar um pouco sobre como foi sua experiência nesse evento nacional e internacional. Confere aí!

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Ei, pera, o que eu to fazendo aqui? Bom, se você já leu o título, deduzir o resto será fácil.

 

Antes de começar eu (ainda) preciso falar uma coisa pra tirar dois elefantes brancos da sala: Eu nunca fui e ainda não sou um assíduo espectador do Wrestling nacional e não gostaria de me passar por tal, eu fui ao evento majoritariamente para ver o nosso querido Rey Mysterio, este que gerou o segundo elefante quando cancelou sua vinda às terras paulistanas de Osasco.

Mesmo assim, seja pela minha costumeira preguiça, um compromisso com o dinheiro ou uma vontade inconsciente por Wrestling, me arrumei e, acompanhado de meu amigo Luan, rumei para a terra do cachorro quente. Os momentos que precederam o evento em si foram um misto de espera e protocolo. Com os benefícios do Meet and Greet conhecemos o simpaticíssimo (sem falar no talento) Juventud Guerrera, que recebia a todos com um belo sorriso e empolgação, assim como também conhecemos Carlito e Chris Masters, muito profissionais em suas funções, nada além disso. É, você esperava mais empolgação em conhecer um dos maiores Flyers da indústria? Sinceramente, eu também, mas confie em mim, a animação vem.

Com nossas máscaras overpriced na mão e cadeiras de plástico ás nossas costas, aguardamos enquanto o ginásio era preenchido e reorganizado, assim como as próprias pessoas também iam se preenchendo com suas conversas sobre a amada luta livre que uniu todos ali. Parecia que eu tinha voltado no tempo, mas que minha empolgação com tudo aquilo havia se perdido em algum lugar pelos anos.

Não demorou muito, foi depois do primeiro gongo soar, foi no Curb Stomb de Evan Fox e no oversell de Lobo Peruano, foi ali que a empolgação voltou pra junto da criança. A primeira luta foi supimpa, palavra aqui que substitui seu palavrão de preferência. A tag team match entre o supracitado Evan Fox, junto de seu parceiro Fúria, contra o Lobo Peruano (espero que esteja bem depois do Hurricanrana) e Mercúrio, foi a porta de entrada para uma noite divertidíssima, muito mais divertida do que eu poderia imaginar.

E o divertimento não veio dos três convidados, mas sim de todos os lutadores nacionais que deram um show com suas performances. Bom, talvez seja injusto dizer que o divertimento veio somente dos brasileiros: Carlito é realmente um show à parte. Logo no começo do show seu Backstabber tirou Bob Jr dos eixos, assim como tirou o menino Luan de seu assento; ouso dizer que ele foi ganho ali.

Enfim, passamos do segment inicial aonde anunciaram Carlito vs Rurik Jr numa Lumberjack no Main Event e passamos pela excelente tag team match inicial.

A próxima luta foi Insano Igor vs Speed vs Albert “O mito do Cangaço”. O rapaz de propriedades mentais duvidosas levou a peleja, enquanto o juiz, alvo do clássico cântico bate no juiz, levou para casa de presente um chute do ícone nordestino. Speed foi o verdadeiro face da luta, levou para casa uma derrota, mas uma bela derrota.

Rapha Luque vs Roddox levantou o público. O primeiro com seu timing e visual muito bons, o segundo com sua presença no ringue e sua catchphrase que, ao contrário do que ela diz, me fez querer ficar e não sair. Talvez seja psicologia reversa, se for o caso funcionou mesmo. Quando o combate acabou eu estava feliz, dizem que wrestlers contam uma história dentro do ringue, é verdade e aquela história ali teve início, meio e fim.

 

 

Histórias tem diferentes tamanhos, a que seguiu é nada menos que grandiosa.

 

Pergunte para qualquer um que estava lá (sério, pode perguntar, eu deixo), a próxima luta foi a luta do show sem sombra de dúvidas. Acce vs Toko vs Max Miller vs Vitor Boer. De gente voando a chokeslam, passando por uma sequência de golpes digna de aplausos em pé e momentos que poderiam muito bem preencher a timeline do LARIATO, esses quatro conseguiram se destacar num show que tinha Juventud Guerrera. Acce é um excelente lutador, muito ousado no ringue, dando um caráter de urgência àquela dança. Toko serviu como um porradeiro powerhouse, que certamente, caso tivéssemos ali um fiscal poderíamos confirmar, moveu o ringue com cada investida no corner e cada powerbomb. Max Miller é o heel que você precisa, só talvez não saiba ainda e caso essa luta não te convença disso, a performance dele como Lumberjack pode ajudar. Por fim temos Vitor Boer, também conhecido como “O Sensacional”, outro lutador muito bom que voou bonito, bateu forte, honrou todo o barulho que a torcida fez quando este apareceu. Espero que o rapaz Boer não se incomode, mas a alcunha de “Sensacional” é agora dos quatro e se, por um acaso, essa luta não arrancou nem um sorriso do rosto impassível de William Regal, eu não sei o que mais poderia fazê-lo. Acce segue com o titulo de Rei do Ringue, literalmente merecido.

Intervalo. X-Bacon. Whatsapp. Luan saiu pra socializar e comprar comida, eu fiquei no meu lugar.

Voltamos com outra Tag Team Match, Título de Duplas da BWF em jogo. Matths e Dante dão umas porradas que assustam, Fred Turbo e Maverik reagem com agilidade, ambas as duplas trabalham pra trazer uma match que faça o público voltar aos trilhos. Funcionou, estamos de volta, Matths e Dante seguem campeões graças a suas porradas agressivas (sério mesmo).

Nocaute Jack arrancou silencio e gritaria dos fãs, graças a uma toalha do Palmeiras e uma cinta de couro. Big Boy apanhou que nem gente grande, com todo merecimento ao trocadilho.

Nas duas últimas lutas tivemos os três convidados internacionais da WSW. Chris Masters e Juventud Guerrera lutaram contra Xandão por uma oportunidade ao título interino da companhia. Juventud bancou o The Rock numa frase de efeito improvisada, era o mesmo cara simpático do Meet and Greet, um ser humano realmente encantador de se conhecer. O “Masterpiece” veio logo depois e, se em sua mesa ele parecia um tanto apático, dentro do personagem ele realmente se solta e vira um gigante narcisista. Algo que eu não esperava era sair desse show achando o Mastelock um move legal, contudo foi exatamente o que aconteceu; pessoalmente essa bagaça é muito legal, parece realmente um move poderoso. Por último veio Xandão, um dos primeiros lutadores que conheci, lá da época em que eu via Gigantes do Ringue na gazeta com meu vô depois de fazer meus pais saírem no meio do culto por conta do viciante telecatch. É engraçado ver como o público tem empatia por seus conterrâneos. A gente vê isso quando os wrestlers vão pras suas cidades ou países natais e aqui não é diferente, mas se torna mais engraçado pessoalmente. Todo o pop do luchador e do powerhouse desapareceu diante do gigante de Bragança. Infelizmente, ele deu tap out para o supracitado Masterlock enquanto Juve ficava fora do ringue devido a uma “lesão” no joelho. Foi uma das lutas mais fracas da noite, perdendo só para as cintadas de Nocaute Jack.

Por fim, a luta principal que tinha a função de defender a honra do Brasil, vingar Bob Jr., atender as exigências de Carlito por um lutador de legado e colocar o título da BWF em jogo. Rurik Jr. e Carlito foram cercados pelo roster da companhia e o ultimo gongo soou.

Não tenho muito o que falar dessa luta. Foi divertida ao extremo, tanto pelas reações do público, que apoiava as trapaças do brasileiro e vaiava as de Carlito, quanto por todas as vezes que este tentou escapar e foi espancado e arrastado para dentro do ringue novamente. Foi divertido pelo Max Miller lumberjack heel, pelo próprio Sr. Colon Jr. que dá uma aula de interpretação e carisma. No final tivemos a vingança de Bob. Jr. uma maçã na cara do juiz, low blow, GTS, gritaria e tudo mais. Foi um fim de evento muito digno, fechando o arco que se abriu ali mesmo.

Eu cheguei em Osasco com vontade de estar em Mauá, dentro da minha casa. Eu saí de Osasco com vontade de ficar e ver mais. Como eu disse no começo, eu não acompanho e não entendo quase nada do Wrestling nacional; mesmo assim, naquele dia eu fui um fã e vou ser enquanto me lembrar dele. Pelo que eu vocês fazem no ringue, pode se preparar, porque eu não vou ser o único não, sou só um de muitos por vir, no meio de tantos que já existem e que levam ao futuro nosso tão promissor presente.

 

Obrigado ao WrestleBR pelo espaço e a todos que leram pela atenção, eu escrevo mais um pouco sobre o evento e a vinda do Luan a São Paulo aqui.

 

Airton Reis

Conheci a luta livre em 2008 e isso mudou a minha vida. Surgiu a ideia do WrestleBR em 2014 quando a WWE passou a ser ao vivo por aqui. Desde então, escrevo sobre tudo.

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