A WWE quer o Brasil no topo – #3

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Hoje cedo recebemos a notícia que a WWE quer consolidar alguma estrela sul-americana no topo da companhia, segundo o Wrestling Observer Newsletter. E o Brasil, com três wrestlers em atividade no NXT, é o mais cotado para ter essa estrela. Mas isso já estava mais que óbvio há muito tempo. São motivos e mais motivos para isso acontecer, e existem inúmeras razões para que isso dê certo. Vamos por partes.

Não é de hoje que a WWE dá sinais que está muito interessada no Brasil. O 5º maior país do mundo tem um potencial muito grande a ser explorado, e a questão é muito mais voltada para como entrar aqui de vez. E aos poucos ela foi tomando conhecimento de nosso território. Não deu certo em 2008, voltou de forma cautelosa em 2011 e resolveu engatar a quinta marcha e pisar fundo a partir de 2014.

William Regal veio aqui e, sei lá como, saiu atrás de tudo que é biotipo apropriado para a WWE. Não interessava se tinha background de wrestling, MMA, jiu jitsu, capoeira ou até mesmo se jogava wrestling fake no Orkut – ele veio e voltou pros EUA com 10 prováveis nomes. Desses ficaram dois: Cezar “V8” Bononi e Adrian Jaoude.

Desde então, gradativamente eles foram ganhando espaço no Performance Center e nos house-shows do NXT. Sempre aparecendo em alguns vídeos, como um em que mostram aos americanos o churrasco brasileiro. E também em aparições maiores, como sendo os seguranças de Goldberg em plena Wrestlemania.

E enquanto eles faziam o papel deles lá no ringue, nós daqui íamos aumentando o nosso público e chamando cada vez mais a atenção dos responsáveis pela WWE. Assunto já confirmado por nada mais, nada menos que Stephanie McMahon em conversas com nossos narradores oficiais, Marco Alfaro e Roberto Figueroa. Aliás, outro fato a se reparar é que eles não só nos representam nos PPVs, como também são os primeiros comentaristas – depois dos espanhois e alemães – a aparecerem quando Michael Cole anuncia as mesas intercontinentais presentes. Estamos na frente até dos indianos, que possuem público gigantesco e um representante, mesmo que fictício, como campeão da WWE.

Isso já é o suficiente para ter certeza que estamos bem cotados com os McMahon, mas ainda tem mais. Ô se tem.

Eis que surge um novo talento brasileiro realizando treinamentos em Orlando. Seu nome era Taynara. Faixa preta em judô e faixa azul no jiu jitsu, Taynara Conti entrou na WWE com zero experiência nos ringues. Isso mesmo, zero. Em pouco menos de um ano, ela já estava participando do Mae Young Classic, e chamou muita atenção de quem a viu.

Taynara tem tudo aquilo que se pode dizer de bom de nós. Sua garra, determinação, ferocidade. Do tipo que perde uma luta e ainda sai por cima. Ela não só já estreou na TV pelo NXT, como também está dentro de uma das maiores promessas atuais da brand amarela: a Undisputed Era. Uma gangue com Adam Cole, Bobby Fish e Kyle O’Reilly, que são apenas três dos maiores nomes da luta livre mundial. Eu posso arriscar aqui que até o final do ano veremos nossa brasileira carregando o cinturão feminino do NXT. Se não, pelo menos muito perto disso.

Agora que já mostramos como a WWE pretende fincar sua bandeira na nossa terra, temos que mostrar o porque de essa ser a melhor decisão possível. O Brasil é uma mina de ouro pra WWE. Só era preciso as ferramentas certas, e elas estão em mãos.

Nosso público é insano. Nós somos a nação mais calorosa quando se trata de torcer, ser fã e apreciar. Mas para sermos tudo isso, precisamos principalmente de uma coisa: sermos os campeões. Muitos são os exemplos para deixar isso mais que óbvio. Guga fez o Brasil acompanhar tênis, Fórmula 1 passa até hoje na principal emissora do país graças a Ayrton Senna, e o mesmo vale para o vôlei.

Tudo isso tem um ponto em comum no seu auge aqui no país, todos estavam com nossa bandeira no lugar mais alto do pódio. O UFC virou febre no Brasil com vários brasileiros carregando cinturões, e hoje em dia as conversas pós grandes lutas diminuíram drasticamente, curiosamente, o número de brasileiros campeões também.

Brasileiro sendo campeão gera audiência, e audiência gera dinheiro. Parece que finalmente alguém levou essa informação para a WWE, e eles querem isso pra já. Assim que um dos nossos colocar a mão em um título, seja do NXT ou principalmente da WWE, eu sugiro que vocês apertem os cintos.

Airton Reis

Conheci a luta livre em 2008 e isso mudou a minha vida. Surgiu a ideia do WrestleBR em 2014 quando a WWE passou a ser ao vivo por aqui. Desde então, escrevo sobre tudo.

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Posted by - 4 de outubro de 2016 0
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