Roda-Viva

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Luta livre rolando com uma roda gigante no fundo

Fim de ano é uma época melancólica. O terminar dos ciclos fazem nascer algo dentro da gente, uma angústia que se parece com um relógio da destruição, esperando para ver o que morre e o que continua. 

A luta-livre, como tudo que já existiu, está dentro do tempo e se firma sobre essas regras também. Ver mais um fim de ano chegando me lembra de outros natais, outros novos anos que agora já fazem muito tempo. Ele evoca lutadores que eram promissores e não deram em nada, gente que eu amava ver na minha TV e hoje prefiro fingir que não estiveram lá.

Roda mundo, roda gigante

Quando comecei a acompanhar, parecia que a luta livre era um mundo do total impossível, das coisas sem limites, dos heróis sem barreiras, do imaginário livre, da PUTARIA. Depois se tornou a terra da técnica antes de se tornar meu alvo de ódio e depois de amor e assim por diante.

Quando comecei a acompanhar, era WWE, depois foi TNA. Ai de repente a TNA foi pro caralho e eu fui para a ROH. A ROH recentemente também acabou – ou talvez não, outra coisa que ficará a cargo do tempo. Depois disso foram outras empresas que se desfizeram ou foram abaladas devido a indole dos seus donos – indole que não é um grande problema se você o seu dinheiro é maior que o problema.

Foi possível ver um cenário britanico florescer e morrer em poucos anos. Vimos o começo de uma Stardom que agora já tem história para um caralho, ver o começo de um NXT que já se foi, voltou e foi de novo. Ver a Divas Era se tornar Woman’s Revolution, Evolution e os caralho a quatro até chegar ao ápice do pensamento disruptor: Toxic Attraction das mamacita. 

Roda moinho, roda peão

Tudo isso aconteceu na vida de pessoas que, de perto ou de longe, estão fadadas ao destino e ao fim que o destino dá. 

Seu Wrestler favorito vai envelhecer e se aposentar caso tenha sorte. Do contrário ele vai morrer lutando, vai seguir carreira até que a carreira o acabe, vai lutar tanto que o corpo vai pedir arrego ou a cabeça vai dar um balão no físico. 

Seu lutador favorito vai sumir do mapa. Sua federação de alma vai falir, vai ser comprada, vai virar arquivo.

As coisas com as quais você e seus amigos se identificam virarão vergonha, piada, virarão uma referência na luta de um outro cara jovem.

Quando mexerem com seus amores, irão esquecer que o tempo influencia no seu trabalho como coisa futura e pensarão nele como coisa pregressa somente.

Nada cresce fora das horas, minutos, segundos e dias que usamos para medir as coisas. Da mesma maneira, nada é destruído. Sem isso não teriamos luta livre, não teriamos o começo ileso, os golpes que destroem e constroem uma luta ao mesmo tempo, não teriamos as histórias. 

O mesmo tempo que vai matar seus heróis é o tempo que os construiu. Tudo isso é melancolia barata de fim de ano, mas eu não consigo evitar, o tempo faz isso com a gente.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do WrestleBR

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